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À prova de Amazônia: conheça a tecnologia brasileira que leva internet à floresta

07/08/2026

EAF viabiliza a instalação de centrais modulares ultraresistentes para conectar a Região Amazônica

Desenvolvida para enfrentar os desafios da Região Norte, uma tecnologia 100% brasileira está transformando a infraestrutura de telecomunicações no país. A expansão da conectividade avança em ritmo acelerado por meio da EAF (Entidade Administradora da Faixa), que colocou em prática uma megaoperação para implantar 13,2 mil quilômetros de cabos de fibra óptica submersos nos rios amazônicos. Para dar suporte a essa rede de alta capacidade, o projeto aposta nos Centros Móveis de Alta Disponibilidade (CMADs), estruturas desenvolvidas sob medida para operar nas condições extremas da floresta.

Levar esses módulos a pontos remotos da Amazônia exige uma complexa operação logística. Antes do transporte, a EAF constrói uma base de concreto no local de instalação. Em seguida, os contêineres partem de Manaus (AM) em balsas até as comunidades isoladas, onde são descarregados e posicionados com o auxílio de caminhões Munck.

Os CMADs integram o programa Norte Conectado, que viabiliza o transporte de dados pelas chamadas infovias subfluviais. A iniciativa é supervisionada pela Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel), por meio do Grupo de Acompanhamento da Implantação das Soluções para os Problemas de Interferência (Gaispi), em cumprimento às obrigações estabelecidas no Leilão do 5G. Após a conclusão de cada infovia, a infraestrutura é formalmente entregue ao Ministério das Comunicações.

Infraestrutura de ponta no coração da Amazônia

Nesse ecossistema, os CMADs desempenham papel estratégico ao processar e transmitir grandes volumes de dados com extrema velocidade e alta disponibilidade, garantindo a estabilidade da rede.

Na prática, cada unidade funciona como uma central de distribuição do sinal de internet para um município. O cabo vindo do rio chega diretamente à estrutura e, a partir dela, a conexão é distribuída pelas ruas por meio de cabos locais. É desse ponto que a fibra óptica se espalha pelos municípios, formando uma Rede Metropolitana Óptica (RMO).

Diferentemente das infraestruturas corporativas tradicionais, os CMADs implantados pela EAF são compactos e modulares. Sua função é transformar o sinal transportado pelos cabos subfluviais em conexões seguras e de alta velocidade para escolas, hospitais e outros serviços públicos, além de beneficiar a população em geral, que passa a ter acesso aos serviços de internet oferecidos por provedores da região.

Além de fortalecer as políticas públicas regionais, essa infraestrutura tem potencial para impulsionar novos negócios e investimentos viabilizados pela expansão da conectividade na Amazônia Legal.

A infraestrutura já é realidade em municípios estratégicos, que contam com unidades concluídas e entregues ao Ministério das Comunicações. Está presente em cidades como Belém, Breves, Afuá, Curralinho e Ponta de Pedras, no Pará; Macapá, no Amapá; Boa Vista, Caracaraí e Santa Maria do Boiaçu, em Roraima; e Vila de Moura, no Amazonas.

Ao todo, o projeto prevê a instalação de 43 CMADs distribuídos pelos seis estados da Região Norte. Na primeira etapa, 23 unidades já foram instaladas, e a segunda contemplará outras 20.

Engenharia resistente e vedação especial

O grande diferencial dessas centrais está na engenharia: elas foram projetadas para serem, literalmente, “à prova de Amazônia”. Montadas em contêineres de alta segurança, as estruturas contam com blindagem térmica para suportar temperaturas superiores a 40 °C, paredes capazes de barrar a umidade extrema da floresta e posicionamento planejado para minimizar os impactos das cheias sazonais dos rios.

A estrutura dispõe ainda de vedação reforçada para impedir a entrada e a proliferação de insetos e outros organismos característicos da região.

Autonomia energética

Como o fornecimento de energia na floresta é instável, outro diferencial tecnológico dessas estruturas está no uso de baterias de lítio, que suportam o calor extremo sem perda de eficiência, recarregam mais rapidamente e oferecem maior durabilidade. Mesmo isolados na mata, esses sistemas mantêm a climatização e o funcionamento autônomo da central, garantindo a continuidade dos serviços.

“Esses contêineres que abrigam os equipamentos são inteligentes, contam com monitoramento remoto, sistema de segurança, suporte de energia solar e baterias de longa duração para garantir a sustentabilidade do serviço em caso de falha elétrica na localidade”, destacou Geraldo Segatto, diretor de Operações da EAF.

Ao final da implantação, a EAF entrega uma infraestrutura robusta. Cada CMAD contempla 20 canais de transmissão, com capacidade de 200 Gigabits por segundo (Gbps). Na prática, essa velocidade equivale a uma verdadeira “super-rodovia” digital, permitindo que milhares de pessoas e instituições naveguem, realizem chamadas de vídeo e transmitam dados simultaneamente, sem lentidão ou interrupções na rede.